Como parte do processo de formação de seus profissionais, a Secretaria de Educação também previu para o Encontro Internacional diversas atividades culturais que, além de enriquecê-lo, tornaram-se momentos de descontração, interação e contemplação entre os participantes.
Na abertura, o espetáculo da trupe do Teatro Mágico e a apresentação do Coral da FITO encantaram as mais de 3 mil pessoas presentes.
Já no segundo dia, após a I Conferência, o grupo de Maracatu Evolução Afro Brasil fez sua bela performance na Praça de Convivência, contagiando os participantes.
No terceiro dia, a atração foi o Maculelê e Roda de Capoeira do Escolinha do Futuro.
Nos dois dias de evento, os profissionais também puderam conferir a peça “As Desventuras de Dona Escola”, no Teatro Municipal.
O Encontro Internacional de Educação de Osasco, realizado no período entre 23 e 25 de fevereiro de 2010, contou com a participação de mais de cinco mil pessoas: profissionais da Educação, representantes de autoridades dos poderes Executivo, Judiciário, Legislativo, educandos, familiares, representantes de organizações governamentais e não governamentais de mais de 15 países.
Por meio de uma metodologia participativa e dialógica, os participantes debateram sobre as temáticas do encontro: Educação para uma vida sustentável; Educação como um direito humano; qualidade da Educação; garantia, acesso e permanência; sistema educacional; financiamento; inclusão; Educação para e pela diversidade; valorização e formação dos profissionais da Educação; Educação ao longo da vida; relação escola e comunidade e Educação para a cidadania planetária.
As reflexões e propostas – tanto das conferências de abertura e de encerramento quanto dos painéis temáticos – ratificam a Plataforma Mundial de Educação do Fórum Mundial de Educação e o compromisso com a educação cidadã, pública, gratuita, laica e de qualidade social, endossando as cinco ações planetárias da Plataforma a partir das seguintes contribuições:
1. Reforçar a concepção de Educação, que entende o ser humano como ser inacabado e em permanente construção, portanto, que se educa e educa por toda a vida, e, ao contrário dos outros seres, nasce caracterizado pela incompletude e com a capacidade de aprender, de autocriar-se e de recriar-se, por intermédio das relações sociais e com a natureza, num processo que nunca se esgota. A educação de qualidade social deve superar a lógica de buscar viver melhor, por meio da competição, e construir uma ética do bem viver, de harmonia do ser humano consigo mesmo, com os outros e com a natureza. Reafirmar a Educação como direito humano, que não pode ser reduzida a um serviço e tampouco ser confundida com uma mercadoria, reconhecendo os direitos humanos como interdependentes e indivisíveis.
2. Buscar uma qualidade de educação que contemple a cultura, contribuindo com o processo de aprendizagem de todos os sujeitos envolvidos, impulsionando-o em todos os espaços de convivência social, valorizando os saberes prévios dos alunos, sua relação com o meio, as relações humanas democratizadas e pacíficas, a valorização das múltiplas dimensões humanas, com ênfase na superação das dicotomias e na interrelação conectiva entre ciência, arte, cultura, política, sensibilidade e afetividade para a produção de novos conhecimentos que respondam às demandas da sociedade contemporânea.
3. Articular a unidade de um projeto nacional de Educação, respeitando a multiplicidade das características locais, tendo em vista que os sistemas educacionais constituem um novo espaço de poder e exercício de cidadania, situando os entes federados como formuladores de políticas públicas e os educadores/as, como sujeitos na construção e realização dessas políticas.
4. Participar ativamente de todos os espaços em que se discute e decide sobre financiamento da Educação para garantir recursos para uma educação de qualidade social e investir recursos públicos nos planos educacionais a fim de assegurar a igualdade de oportunidades entre gêneros e ampliar os investimentos na Educação Infantil, contribuindo com a diminuição do ciclo da pobreza.
5. Garantir a acessibilidade, o atendimento específico a todas as necessidades em todos os ambientes, o exercício da cidadania a todas as pessoas, o direito humano de se desenvolver plenamente, sem quaisquer tipos de discriminação; e fortalecer a organização e a mobilização social da pessoa com deficiência, para que participe ativamente da defesa dos seus direitos e seja incluído socialmente na perspectiva do bem viver.
6. Estimular e valorizar, no processo educativo, a participação, os desejos e os sonhos das crianças, dos adolescentes e dos adultos, enquanto aspecto importante para a constituição humana. É imprescindível que a escola estabeleça uma relação dialética entre Educação e cidadania, para além da escolarização.
7. Valorizar os profissionais da Educação e resgatar o seu significado social, criando condições de trabalho para que continuem contribuindo com a construção de conhecimentos, sonhos e sentido para a vida de muitos. Implementar planos de carreira que tratem dos diversos percursos profissionais, com piso salarial adequado ao trabalhador, com jornada compatível e política de formação continuada, incluindo o cuidado com a saúde do professor.
8. Reafirmar a importância da Educação ao longo da vida, defendida pelas duas últimas Conferências Internacionais de Educação de Adultos (CONFINTEA) da UNESCO, que rompe com antigos pressupostos sobre tempos, ritmos e processos de aprendizagem e atendem às necessidades específicas dos adultos.
9. Fortalecer a relação escola-comunidade, prevendo políticas públicas específicas e recursos para formação dos diferentes segmentos escolares e da comunidade para que esse diálogo seja fecundo no sentido de a escola assumir, cada vez mais, a gestão social de um conhecimento que contribua para o bem viver, valorizando o princípio de que também se aprende “com” e “na” comunidade, bem como “com” e “na” cidade. Reconhecer e valorizar a importância das parcerias (escola-sociedade civil, empresas), mantendo a bandeira da desmercantilização da Educação, defendida pela Plataforma Mundial de Educação. Valorizar a articulação do projeto político-pedagógico das unidades educacionais com as lutas e os movimentos sociais, para a construção de uma Rede de Proteção Social que dialogue efetivamente com os mecanismos de controle social na garantia do direito à Educação.
10. Promover a Educação para a cidadania planetária a partir de relações sociais, afetivas, solidárias e fraternas, respeitando e valorizando a diversidade cultural e a semelhança entre pessoas de todo o mundo, conjugando o verbo “utopizar” com o fortalecimento das sociedades, tornando-as mais justas, pacíficas e felizes; por conseguinte, mais aprendentes. Assegurar a educação para e pela diversidade, promovendo a interculturalidade, a formação da identidade de crianças e jovens pertencentes a diferentes grupos étnicos, aprofundando e colocando em prática as novas diretrizes para a Educação diferenciada.








